quarta-feira, 24 de julho de 2013

Quem nunca tomou refrigerante que atire a primeira pedra!


Ainda criança, me lembro bem, que aos domingos (somente aos domingos) íamos a uma distribuidora de bebidas carregando uma garrafa de vidro para comprar refrigerante. Naquela época garrafa de vidro retornável era chamada de “casco”. Os tamanhos não variavam muito e a garrafa de 1 litro era chamada de tamanho família. Na minha casa esse era o dia do refrigerante. Durante a semana costumávamos beber suco natural, feito da fruta mesmo, na hora. Tinha suco de laranja, limão, maracujá... dependia um pouco da época, mas me lembro bem dos sucos.
Foto: Arquivo pessoal.
 
Muita coisa mudou! O tempo passou e o hábito do suco caseiro vem sendo esquecido. Hoje em dia encontramos refrigerantes de vários sabores, tamanhos e marcas. O que na década de 1980 só estava disponível em latinhas, máquinas e garrafas de vidro de 290mL e 1L, atualmente encontramos em vários tipos de recipientes e tamanhos: garrafas PET e de vidro, latas e copos (das máquinas) que variam de 200mL a 3L.

Eu bebo refrigerante, sim! Não vou mentir! Mas não faço disso um hábito, e procuro deixar a bebida para as ocasiões especiais, sem exageros. Confesso que a quantidade de açúcar presente nos refrigerantes me deixa um tanto espantada, o que sempre me faz pensar duas vezes antes de consumi-lo. Dá uma olhada:

 

Refrigerante, tipo / em 100mL
Energia
(kcal)
Proteínas (g)
Gorduras (g)
Carboidratos (g)
Potássio (mg)
Sódio (mg)
Cola
34
0
0
8,7
1
7
Guaraná
39
0
0
10
1
9
Laranja
46
0
0
11,8
16
9
Limão
40
0
0
10,3
4
9
Fonte: TACO, 2011.


Refrigerante de limão/ embalagem/volume
Carboidratos (g)
Equivalente em colher de sopa de açúcar
Valor energético (Kcal)
Lata 350mL
36,05
2 ½
144
Garrafa 600mL
61,8
4
247
Garrafa 1L
103
7
412
Garrafa 2L
206
14
824

 

Ainda não se convenceu? Separei um vídeo que é o máximo. Com ele você vai entender do que eu estou falando. Para assistir clique aqui. 
 

E que tal fazer um refrigerante caseiro e saudável? Você vai precisar de:

Água com gás (gelada, de preferência)
1 laranja ou ½ limão
Açúcar (a gosto, mas com moderação) ou adoçante (se quiser um refrigerante light ou zero açúcar)

Como fazer:

Esprema a fruta num copo. Adicione o açúcar (ou o adoçante) ao suco e mexa bem. Complete o copo com a água gaseificada e pronto! Você tem um refrigerante com as vitaminas e os minerais da fruta!

 
Aproveite!

 

Referência:

TACO; Tabela brasileira de composição de alimentos / NEPA –UNICAMP.- 4. ed. rev. e ampl.. -- Campinas: NEPAUNICAMP, 2011. 161 p.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Debulhando idéias com milho!

Voltando do interior, dependendo do horário é quase que inevitável pegar um congestionamento na chegada a São Paulo. Ficar dentro do carro por tanto tempo vai dando cansaço, vontade de ir ao banheiro, dor nas pernas, impaciência e fome! O jeito então é fazer uma parada e resolver esses "probleminhas".
Dessa vez meu marido e eu escolhemos parar num restaurante especializado em milho. E diante de tantas pessoas alvoroçadas por uma iguaria da "roça"', resolvi apostar no produto que dá nome ao restaurante, pedi uma pamonha! Para a minha surpresa a atendente disse que não tinha o produto e que levaria uns 15 minutos até que ficasse pronto. Mas ¼ de hora numa parada no meio da estrada pode ser muito tempo quando se quer chegar logo em casa, então escolhi o velho e bom milho-verde cozido.
Enquanto eu saboreava com uma colher o meu milho quentinho que tinha sido debulhado em segundos por uma máquina, fiquei pensando nas maravilhas que podemos fazer com esse cereal tão presente na nossa culinária.
Pão, bolo, pipoca, biscoito, pamonha, curau, sopa paraguaia, suco, sorvete, cuscuz, creme de milho, óleo, mingau, farinha, polenta... Comemos mais milho do que imaginamos, não é?!?
E o que é que esse grão tão consumido pode nos oferecer?

Foto: Arquivo pessoal.

Milho / 100g
Energia
(kcal)
Proteínas (g)
Gorduras (g)
Carboidratos (g)
Fibra alimentar
(g)
Cálcio (mg)
Ferro (mg)
Potássio (mg)
Sódio (mg)
Verde, cru
138
6,6
0,6
28,6
3,9
2
0,4
185
1
Enlatado
98
3,2
2,4
17,1
4,6
2
0,6
162
260
Fonte: TACO, 2011.
 
Já que o milho é tão gostoso e usado na cozinha brasileira, trago aqui a receita de sopa paraguaia, uma receita bem sul-matogrossense, assim como eu! Mas antes vamos esclarecer uma coisa: sopa paraguaia não é uma sopa propriamente dita, mas sim um bolo salgado de milho-verde, cebola e queijo caipira. Uma delícia!
 
SOPA PARAGUAIA
Ingredientes:
3 cebolas médias picadas
1 colher de sopa de manteiga ou margarina
2 espigas grandes de milho-verde ou 1 lata de milho enlatado
1 copo de água em temperatura ambiente (250mL)
3 ovos inteiros
½ kg (500g) de queijo caipira (meia cura) em cubinhos de 1 cm²
1 colher de sobremesa de fermento químico em pó
1 xícara de flocos de milho pré-cozidos
 
Como fazer:
No liquidificador bata o milho e a água. Acrescente os ovos e a manteiga e bata mais um pouco. Numa tigela grande misture os flocos de milho, a cebola, o milho batido e o queijo por último. Depois que a massa estiver homogênea, parecendo uma sopa (daí o nome) adicione o fermento e mexa lentamente. Despeje a mistura numa assadeira untada com manteiga (ou margarina ou óleo) e farinha e asse em forno médio (180°C) até que fique bem dourada. E já está pronta para servir! Pode-se consumi-la quente ou fria.
 
Foto: Arquivo pessoal.
 
 
Bom saber:
1 espiga grande tem em média 100g de grãos de milho.
1 lata de milho-verde enlatado tem aproximadamente 200g.
 
Sugestão de livro de receita com milho:
Título: Milho: sabor do Brasil
Autora: Iracema Sampaio
Editora: Alvorada
Ano: 2011
 
Referência:
TACO; Tabela brasileira de composição de alimentos / NEPA –UNICAMP.- 4. ed. rev. e ampl.. -- Campinas: NEPAUNICAMP, 2011. 161 p.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Queeem queeer pão?!?


Há uns 4 anos eu “encasquetei” que queria uma máquina de pão. Na época, meu namorado (hoje meu marido) e eu resolvemos comprar o eletrodoméstico já para compor o nosso “futuro” lar. Nossa casa acabou ficando pronta uns 2 anos depois, mas claro que eu não esperei esse tempão para começar a usar o meu novo brinquedinho. Quem pensa que máquina de pão só faz pão se engana, e muito! Eu faço nhoque e massa de macarrão, mas também dá para fazer massa para pizza e salgados, ou qualquer outra coisa que requeira uma força extra nos braços para sovar a massa. Assim, posso dizer que essa máquina é um “must” (do inglês – must have, em português – indispensável).

Eu, nutricionista que sou, vivo tendo ideias alimentares e nutricionais... Tenho um problema seríssimo em seguir receitas (embora tenha uma humilde coleção de livros de culinária). Não sei o que acontece, é mais forte do que eu! E com o pão não podia ser diferente! A máquina de pão vem acompanhada de um livrinho de receitas com inúmeras variedades do alimento milenar, mas eu não consigo seguir uma sequer! Mesmo com o livrinho avisando: “use sempre as medidas exatas”. E a minha última “invenção” deu tão certo que eu resolvi trazer para o blog. É um pão meio-integral com linhaça e aveia. Vamos aos ingredientes:

1 copo de água à temperatura ambiente
1 colher de sopa de manteiga, óleo, azeite ou margarina
1 e ½ colher de chá de sal
2 colheres de sopa de açúcar (qualquer um, desde que não seja light, porque o fermento precisa desse açúcar para o pão crescer)
1 e ½ xícaras de farinha de trigo refinada
1 e ½ xícaras de farinha de trigo integral
2 e ½ colheres de chá de fermento biológico seco
Espere o aviso para adicionar:
2 colheres de sopa de semente de linhaça
2 colheres de sopa de aveia em flocos grandes

Se você também tiver uma máquina de pão em casa coloque os ingredientes nessa mesma ordem, ligue a máquina no ciclo integral (ou em qualquer outro que tenha uma duração de mais ou menos 3h30).

 

Foto: Arquivo pessoal.
 
Mas se você não tem a máquina, não se apavore, faça o seguinte:

Misture tudo numa tigela grande, menos a aveia e a linhaça. O melhor mesmo é usar as mãos. Quando a massa não estiver mais grudando nas mãos transfira para uma superfície lisa e comece a sovar. A massa deve ficar lisinha e macia (tem que usar a força dos braços mesmo!). No meio desse processo acrescente a linhaça e a aveia até que fiquem bem incorporadas à massa. Volte a massa para a tigela e tampe com filme plástico. Deixe crescer por uns 20 ou 30 minutos. Depois volte a sovar mais um pouco e molde a massa no formato que quiser o pão. Deixe crescer mais uns 40 minutos e coloque para assar em forno médio. O tempo vai depender do tamanho do seu pão. Não se esqueça de enfarinhar a superfície lisa onde for sovar a massa e a assadeira, ou forma, onde for assá-la.

Deguste um pão caseiro, saudável, nutritivo e sem aditivos químicos!


Bom apetite!

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Manteiga ou margarina?!? Há diferenças...

Frequentemente no consultório eu sou questionada sobre a diferença entre a manteiga e a margarina.
O que nem todos sabem é que a manteiga é um produto derivado do leite da vaca e sua origem é datada como pré-histórica. Já a margarina, de origem bem mais recente, no século XIX, é feita a partir de óleos vegetais hidrogenados ou interesterificados. A hidrogenação e a interesterificação são processos industriais e tecnológicos capazes de transformar o óleo vegetal que é líquido à temperatura ambiente em uma substância solidificada.
Dessa forma, aos olhos nus de nós seres humanos a manteiga e a margarina são bem parecidas. Mas a manteiga, por ser de origem animal é rica em colesterol e gorduras saturadas. O colesterol é um tipo de gordura presente somente nos produtos de origem animal (importante saber!!!), o que a margarina, por ser fabricada a partir de óleos vegetais não tem. Por outro lado, os processos de solidificação dos óleos (normalmente gorduras mono e poliinsaturadas) para a obtenção da margarina podem tornar suas gorduras tão ruins ou piores que as gorduras da manteiga, e dão origem às chamadas gorduras trans.
Simplificando:
Manteiga = gordura saturada + colesterol
Margarina = gordura vegetal hidrogenada e/ou interesterificada = gordura trans

100g de produto com sal
Energia (kcal)
Proteínas (g)
Gorduras totais (g)
Colesterol (mg)
Carboidratos (g)
Cálcio (mg)
Gordura Saturada (g)
Gordura Monoinsaturada (g)
Gorduras Poliinsaturadas (g)
Manteiga
726
0,4
82,4
201
0,1
9
49,2
20,4
1,2
Margarina com óleo hidrogenado (65% lipídeos)
596
Tr
67,4
NA
0,0
6
14,9
18,2
21,4
Margarina com óleo interesterificado (65% lipídeos)
594
Tr
67,2
NA
0,0
5
21,9
15,0
27,6


Fonte: TACO, 2011.
 
Efeitos no organismo:
Colesterol em excesso = aumenta o LDL-colesterol
Gordura saturada = aumenta o LDL-colesterol
Gordura Vegetal Hidrogenada = Gordura Trans = aumenta o LDL-colesterol e diminui o HDL-colesterol
Gordura Interesterificada = os resultados científicos são inconclusivos até o momento.
 
É bom saber:
O LDL-colesterol é conhecido como o colesterol ruim, e o HDL-colesterol como o colesterol bom.
 
Fica a dica:
No lugar da manteiga ou margarina no pão experimente usar o azeite de oliva, que além de muito saboroso não tem gordura trans, nem colesterol e é rico em ômega-9, que garante aumentar o HDL-colesterol e a baixar o LDL-coelsterol. Só não vale exagerar!
 
 

Referência: TACO; Tabela brasileira de composição de alimentos / NEPA –UNICAMP.- 4. ed. rev. e ampl.. -- Campinas: NEPAUNICAMP, 2011. 161 p.